Share

Para onde caminha a humanidade

Vivemos um tempo curioso — quase cômico, se não fosse trágico (ou trágico, se não fosse cômico). Os jovens, antes tão apegados ao encontro presencial, hoje praticam uma espécie de proximidade à distância: estão todos coladinhos… desde que separados pela tela do smartphone. O paradoxo é evidente: quem está longe se aproxima, quem está perto se afasta, mas todo mundo se encontra no mesmo lugar — o reino mágico, caótico e ininterrupto das redes sociais.

Antes, precisávamos marcar um encontro no sábado à tarde para contar “o que fizemos no verão passado”. Agora basta um TBT caprichado, e numa quinta-feira qualquer o mundo inteiro descobre nossos verões, invernos, outonos e primaveras — tudo devidamente filtrado, editado e com legenda reflexiva. A superexposição virou o idioma oficial das relações; cada gesto, cada café, cada passo vira conteúdo. E, convenhamos, um post de 15 segundos parece falar mais do que meia hora de prosa no caminho para casa.

As redes sociais é o lugar onde reencontramos antigos colegas de escola, do bairro onde morávamos. E, ainda, fazemos novas amizades virtuais, trocamos emojis, memes e indignações coletivas… tudo sem precisar atravessar a rua para levar um livro a um amigo.

Na Nova Ordem Mundial das Relações, o sigilo virou peça de museu: tudo é revelado o tempo todo — inclusive o que não é verdade.

Hoje temos o mundo na palma da mão. E, de certa forma, o mundo também nos tem: tudo está em todo lugar ao mesmo tempo para todo mundo. É como viver dentro de um filme sem edição, sem roteiro e sem qualquer garantia de sequência lógica. Perdemos a linearidade? Já não existe começo, meio e fim? Ou estamos apenas nos adaptando ao modelo “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” como se fosse o novo normal das relações humanas?

Mas será que devemos nos preocupar com isso? Talvez. Ou talvez estejamos apenas testemunhando — e protagonizando — mais um capítulo da longa evolução da humanidade. A verdade é que ainda é cedo para prever no que vai dar… e tarde demais para tentar frear essa onda colossal de informação que já nos carrega, com ou sem nossa permissão, para o próximo clique, o próximo post, o próximo instante compartilhado.

Assim caminha a humanidade — em passos apressados, dedos ágeis, olhos na tela e coração dividido entre o mundo real e o virtual.

You may also like