O pequeno notável criador de histórias

“Uma noite fria em Londres. Uma grande forma negra saltou sobre um morador de rua e cravou duas presas grandes em seu pescoço. Os dentes da criatura já tinham cortado sua traqueia. O único som que veio de sua boca foi o de sangue borbulhante. Logo, tudo ficou escuro”. Esse trecho, adaptado, compõe o primeiro parágrafo do livro “They” (Editora Selo, 2021), e já entabula o estilo penetrante de como o escritor infanto-juvenil brasiliense João Pedro Olinda de Macêdo descreve as cenas que dão corpo à ficção.

A realidade fantástica presente em “They”, e no spin-off “Lost in Time”, combina suspense, aventura, animais pré-históricos e viagem no tempo. Se tem intensidade nas cenas, o texto demonstra leveza nos diálogos e sagacidade na narrativa. Uma leitura chiclete que segura o leitor até o final da trama. Tanto, que vem arrancando elogios de professores. “Uma escrita madura, muito bem desenvolvida. É o sonho de todo professor de redação ver um texto bem estruturado. Eu comecei a ler e não consegui deixar o livro, essa é a marca de sucesso de um grande escritor: prender o leitor”, aplaude a professora Maggie, da Casa Thomas Jefferson.

Com apenas 9 anos de idade, João Pedro já despertava para o talento literário. Em 2014, catalogou 72 animais, com os respectivos nomes, descrições e ilustrações de próprio punho. Pela editora All Print, lançou um atlas de criaturas pré-históricas, chamado “A Mais Atual Enciclopédia Da Pré-História”.

Agora, aos 15 anos, escreve uma eletrizante ficção protagonizada por Peter Williams, um estudante de biologia da Universidade de Oxford. Ele e seus parceiros de aventura são responsáveis por conter monstruosas criaturas de diferentes épocas que atravessam portais. Os livros “They” e “Lost in Time”, e as versões em português “Eles” e “Perdido no Tempo” foram escritos durante os primeiros meses da pandemia de COVID-19 e, originalmente, em inglês. João diz que normalmente escreve em inglês, já que se sente mais confortável. Ele explica que muitos termos técnicos são provenientes do inglês, o que torna a escrita mais fácil.

Selo – João, você saberia identificar alguma razão específica ou algum momento na sua vida em que se sentiu motivado a se dedicar à escrita literária? Ou foi algo instintivo que foi naturalmente tomando forma sem intensão aparente?

João Pedro – Eu sempre gostei de escrever, nunca fiz isso por obrigação, simplesmente porque gosto. Quando me sinto inspirado, simplesmente sento e escrevo.

Selo Qual foi a inspiração para o primeiro livro? E por que criar uma história que reuniu aventura, suspense, animais pré-históricos e ficção-científica?

João Pedro – O meu primeiro livro (A Mais Atual Enciclopédia da Pré-História) surgiu basicamente de um desejo de catalogar esses animais, com inspiração em livros similares que eu já lia há um tempo. Eu criei a história do jeito que ela é por causa da influência da série (Primeval) na qual me baseei. Além disso, reuni elementos que eu gostaria de encontrar se estivesse lendo um livro com esse tema, especialmente as criaturas fidedignas à compreensão científica atual.

Selo Existe outro universo sobre o qual você gostaria de abordar (talvez no próximo livro) ou vai continuar desenvolvendo o mesmo tema?

João Pedro – Eu continuarei desenvolvendo o mesmo tema, tanto as criaturas pré-históricas (quanto as do futuro) são parte essencial e indispensável de qualquer novo livro, além da discussão sobre o instinto é claro.

Selo Onde e quando você gosta de praticar a escrita? Existe algum lugar ou hora especiais? A sua capacidade criativa flui naturalmente ou é algo penoso?

João Pedro – Eu prefiro escrever no fim de semana. Sempre escrevo sentado na frente do computador. Na maioria das vezes, flui muito bem, mas é necessário ter inspiração, a qual nem sempre é fácil de se ter!

Selo Você adota algum método próprio de produção textual?

João Pedro – Eu não adoto nenhum método determinado de produção textual, só tento fazer com que o texto tenha o menor número possível de erros gramaticais, poucas repetições e seja capaz de fluir bem.

Selo Além da literatura, quais são as atividades recreativas das quais você se dedica ou tem vontade de?

João Pedro – Eu gosto bastante de jogar jogos eletrônicos (jogos históricos, de astronomia e de construção de cidades e parques com animais pré-históricos), de ler livros e artigos sobre temas variados, além de também assistir TV.

Selo Quantos livros você pretende escrever na sua vida?

João Pedro – Não faço a menor ideia. A escrita para mim não vem com data nem hora marcada, simplesmente vem quando eu estou com vontade de escrever. Não planejo me sustentar da escrita, ela é lazer e nada mais.

Selo Se você fosse limitado a assinar um único livro na noite de autógrafos e, por isso, optasse por fazer uma dedicatória coletiva. Para onde você dirigiria as suas palavras?

João Pedro – Eu dirigiria minhas palavras para o fato de qualquer um tem a capacidade de escrever, basta querer. Além disso, gostaria de estimular o interesse das pessoas não só pelos animais pré-históricos mas por outros campos do conhecimento também, como a história.

Selo O que você poderia dizer para os escritores infanto-juvenis sobre o sonho de publicar o seu primeiro livro?

João Pedro – O que eu posso dizer é que não há nenhum mistério sobre a arte de escrever. Se você quer, você faz. No entanto, é importante ressaltar que a prática é importantíssima, é a única maneira de aprimorar os textos. Mas é essencial não se prender à obrigação, somente se escreve quando se quer escrever.

Selo O que você quer ser quando crescer?

João Pedro – Por mais que eu não tenha certeza absoluta, pretendo ser um médico pesquisador. Apesar disso, continuarei me dedicando a outros tópicos, como a paleontologia.

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Os livros que compõem o realismo fantástico criado por João Pedro Olinda de Macêdo, THEY/ELES e LOST IN TIME/PERDIDO NO TEMPO estão disponíveis na Livraria BOK2, na Amazon e nos maiores marketplaces da internet.

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